segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Tempos de quarentena: retratos e memórias - 16/08/2021

 

Tempos de quarentena: retratos e memórias

 

Vivendo esse momento de afastamento do trabalho, das pessoas e das atividades cotidianas em geral, sobra muito tempo pra refletir.

E pensar, nesse aspecto, em especial, é vasculhar e limpar as memórias, as ideias, os sentimentos. Enfim, resolvi dar uma faxina, comecei pela física mesmo.

A estante foi o primeiro espaço, tirei álbuns de fotos, os livros e bibelôs das inúmeras viagens ou presentes de amigos e alunos, fui limpando e revivendo imagens e emoções. Uma foto já embaçada do tempo rememora uma ida – com Roseli e família – a um restaurante fazenda, no interior de Itabirito. Comida boa, de fogão a lenha e a prosa animada foram elementos deste dia.

Sempre soube que sou cumulativa, guardo mesmo as coisas: físicas, imagéticas e sensoriais. Talvez por isso se explique o meu amor pelas caixas. E não é que eu precise do objeto em si para startar minhas lembranças, simplesmente, porque gosto, sinto-me bem. Tenho uma caixa repleta de papéis de alunos, cartas, recadinhos, cartões. Não me desfaço. Eis a minha história na educação, está ali.

Em outra foto, eu e minha amada sobrinha Karen estamos encapotadas, no frio da noite de Ouro Preto. Deve ter uns quinze anos ou mais. Algum desavisado pode achar que é saudosismo, mas não é. Não vivo querendo que o tempo volte, mas lembro com carinho esses momentos vividos.

E com isso, a faxina vai sendo completa: corpo e alma.

Ainda na estante, há uma foto em que estamos eu e tia Margarida (ela se foi, agora, há pouco tempo – menos de um ano). Lá em Niterói, andando pelas ruas. Me lembro de como ela estava feliz em nos receber. Eu, papai e mamãe estávamos lhe fazendo uma visita. Acho que foi 2008. Era uma pessoa alegre, com uma energia, mesmo com mais de 80 anos. Saudades dela!

Há também uma foto em que estou em Kilkenny, uma cidade do interior da Irlanda, isso foi em 2011, se não me falha a memória. Uma cidade pitoresca, toda medieval, com um castelo gigante, um river que corta a cidade. Fomos eu e Mênara de carona com o host dela. Tiramos muitas fotos. As ruas possuem vasos de flores ao longo delas. São lindas! Ainda pra finalizar, fomos a um pub, que era uma casa antiga (e o que não era, lá?), onde morava uma viúva de três maridos, que foi condenada por bruxaria, justamente por ter enviuvado.

Ah, tem a foto do casamento da minha amiga de infância, Adriana, são mais de 40 anos de amizade. Isso não é pra qualquer um, tá! Ela, em um vestido rosa claro, lindo, que sua própria mãe fez. E eu, de pretinho básico. São duas vidas entrelaçadas eternamente, tenho certeza disso.

Um retrato de minha outra grande amiga enfeita minha estante: Andreia. Estamos em seu antigo apartamento, no Parque Guinle, no bairro Laranjeiras, na minha saudosa Rio de Janeiro, brindando com uma tacinha de licor, após o jantar. Em 2006. Temos também uma longa amizade, aliás, comemoramos Bodas de Prata, 25 anos.

Em uma, estamos eu e Mênara, com um artista de rua entre nós, vestido de Chaplin, num daqueles maravilhosos parques floridos de Londres, que, na primavera, enche a nossa vida de uma infinidade de cores. São tão bem cuidados. Os ingleses gostam  bastante de flores e animais. Também com minha primogênita, há uma na qual estamos em cima de uma ponte em Dublin sobre o rio Liffey.

Há uma de 2011, no casamento de meu irmão Jerônymo. Estamos mais uma vez, eu, Mênara, mais Jerominho, Igor e Maria Eduarda, estes três últimos ainda crianças; hoje, adolescentes e enormes.

Ainda restam duas fotos, uma de meu avô paterno, que nem conheci, pois ele faleceu meu pai era criança ainda. Mandei fazer essa foto ampliada a partir de uma ¾, que tia Eliet tinha. A outra é bem mais recente, mas não menos significativa: ela me foi dada por uma aluna do 3º ano de 2019, Karina, menina doce e educada. São três fotos juntas de nós duas, em momentos diversos, ao longo do ano e uma bela mensagem em homenagem aos professores.

Nem vou me ater aos bibelôs, pois são vários, mas vou destacar um, em especial: uma garrafa de Coca do México, que tomei em um restaurante mexicano, mas lá na Nova Zelândia.

Dos livros, o que dizer? Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por eles. São muitas memórias. Dizem – já ouvi ou li isso em algum lugar – não existem escritores que não sejam leitores. E penso que isso faz todo o sentido. As letras, as palavras e as frases se embaralham em nosso campo de visão e se tornam uma rede de proteção ou uma rota de fuga. Exatamente isso, acho que nunca consegui definição melhor para o amor à leitura. E acabei de pensar nela agora.

Bem, finalizo, dizendo, que meu tempo de quarentena da Covid-19, está sendo proveitoso e producente. É é sempre bom tirar as traças e dar uma geral no que que não está legal. Digo que encarar a vida pela melhor perspectiva é o que devemos procurar fazer. Não há escolha.


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Nas estações

 

Nas estações,

Quando sinto sua falta

 

Quando o inverno é intenso, é árduo

E a lã não cobre meu corpo, não sufoca o frio

Sinto sua imensa falta

E se o vento é quente, o sol doura meus pelos, minha pele

Esse suave ardor nada se compara à chama ardente

Que explode de nossos corpos febris no amor

Sinto, então, sua imensa falta

E se é primavera, o cheiro das flores, o vento espalha

Causando sensações agradáveis

Nos mais lindos jardins

Mas não se compara ao perfume que exala da sua presença

E que me faz perder os sentidos – Sinto sua imensa falta

O outono traz o doce das frutas, o colorido variado

Que embeleza a natureza, mas esse sabor de fruta fresca, madura...

Fruta da época... só com seus beijos sou capaz de sentir.

E então, sinto sua imensa falta.

Em cada estação.

11/07/2000

 

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