sexta-feira, 28 de maio de 2021

A velha máquina de escrever - escrito em 28/05/2020

 

A velha máquina de escrever

Abandonada num canto da garagem, lá estava ela. Suja, alquebrada. Sem importância. Sem palavras.

         E olha que ela já teve muitas palavras. Hoje ela é muda. Coitada! Não é mais utilizada para nada. Tornou-se um objeto inútil, obsoleto.

         Enquanto ouço bossa nova, lembro-me de quando fiz o curso de datilografia; tinha que digitar não sei quantas palavras por minuto ou dar não sei quantos toques. Talvez ela não seja nem tão velha assim, por exemplo, quanto a essa música que ouço agora. Afinal, a canção é mais velha que eu.

Uma vez li essa frase: “Recordar é viver”. Não sei onde, nem sei quem é o autor. Bem, quanto a isso, talvez seja fácil, só pesquisar no Google. Voltando ao assunto, acho que sim, “Recordar é viver”, pois cá estou eu revivendo minhas memórias da velha máquina de escrever. Não que eu guarde grandes recordações ou infinitas emoções, não, apenas divago. Ela é parte da minha adolescência. Meu pai a me deu, em um tempo em que era um bem precioso – talvez equivalesse a um Mac nos dias atuais.

         Hoje, por mim, eu a teria despachado junto às quinquilharias retiradas da garagem para o ferro velho. Mas meu irmão acho que teve “dó”. Ou ela teimou? Permanece calada, num canto qualquer, à espera de uma alma boa.

 

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