A
velha máquina de escrever
Abandonada
num canto da garagem, lá estava ela. Suja, alquebrada. Sem importância. Sem
palavras.
E olha que ela já teve muitas palavras. Hoje ela é muda.
Coitada! Não é mais utilizada para nada. Tornou-se um objeto inútil, obsoleto.
Enquanto ouço bossa nova, lembro-me de quando fiz o curso de
datilografia; tinha que digitar não sei quantas palavras por minuto ou dar não
sei quantos toques. Talvez ela não seja nem tão velha assim, por exemplo,
quanto a essa música que ouço agora. Afinal, a canção é mais velha que eu.
Uma
vez li essa frase: “Recordar é viver”. Não sei onde, nem sei quem é o autor.
Bem, quanto a isso, talvez seja fácil, só pesquisar no Google. Voltando ao assunto, acho que sim, “Recordar é viver”, pois
cá estou eu revivendo minhas memórias da velha máquina de escrever. Não que eu
guarde grandes recordações ou infinitas emoções, não, apenas divago. Ela é
parte da minha adolescência. Meu pai a me deu, em um tempo em que era um bem
precioso – talvez equivalesse a um Mac
nos dias atuais.
Hoje, por mim, eu a teria despachado
junto às quinquilharias retiradas da garagem para o ferro velho. Mas meu irmão
acho que teve “dó”. Ou ela teimou? Permanece calada, num canto qualquer, à
espera de uma alma boa.
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