sábado, 29 de maio de 2021

Homenagem a seu Zé

 

Guardião da rua

Quinta-feira, dia 08 de abril de 2021, perdemos nosso guardião da rua. Eu sei que a Morte não avisa quando vem, mas ela gosta mesmo de nos pegar de surpresa. Assim foi. A Rua São Paulo neste dia ficou incompleta, aliás, está incompleta, permanece incompleta.

Aos desavisados, não é que ele fosse o nosso vigilante, não. Seu Zé, na verdade, poderia sim assumir essa função, pois zelava por esse nosso pequeno espaço.

Quando meu pai se foi, Seu Zé foi de poucas palavras comigo, disse-me, singelamente e tão sinceramente: “Vou sentir falta do Seu Jerônymo, não terei mais meu companheiro pra ir comprar pão todas as manhãs.” Senti o quanto aquilo era verdadeiro.

Agora, sou eu quem pergunto: “Para quem darei bom dia ou boa tarde, quando eu for levar o lixo no latão da esquina?”

Gostava de uma boa prosa e tinha sempre uma história para contar. Um dia, há muito tempo, contou-me que trabalhou como representante; se eu não estou enganada, acho que com óculos. Também estava sempre engajado com as questões do bairro, se faltava água, se faltava luz. Se tapariam os buracos...Seu Zé sabia.

Esta rua tornou-se um tanto solitária com a sua partida, Seu Zé. Confesso que fiquei um tanto atordoada quando recebi a notícia. Sabe aquelas pessoas que fazem parte do nosso dia a dia? Assim era.

Espero que lá onde esteja, que Deus tenha reservado um lugar especial e que o senhor tenha uma grande alameda para ficar e tomar conta. E que possa encontrar-se com aqueles que se foram. Quem sabe, poderá comprar pão com papai!

Seu Zé, tem pão no céu?

 

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