Guardião
da rua
Quinta-feira,
dia 08 de abril de 2021, perdemos nosso guardião da rua. Eu sei que a Morte não
avisa quando vem, mas ela gosta mesmo de nos pegar de surpresa. Assim foi. A Rua
São Paulo neste dia ficou incompleta, aliás, está incompleta, permanece
incompleta.
Aos
desavisados, não é que ele fosse o nosso vigilante, não. Seu Zé, na verdade,
poderia sim assumir essa função, pois zelava por esse nosso pequeno espaço.
Quando
meu pai se foi, Seu Zé foi de poucas palavras comigo, disse-me, singelamente e
tão sinceramente: “Vou sentir falta do Seu Jerônymo, não terei mais meu
companheiro pra ir comprar pão todas as manhãs.” Senti o quanto aquilo era
verdadeiro.
Agora,
sou eu quem pergunto: “Para quem darei bom dia ou boa tarde, quando eu for
levar o lixo no latão da esquina?”
Gostava
de uma boa prosa e tinha sempre uma história para contar. Um dia, há muito
tempo, contou-me que trabalhou como representante; se eu não estou enganada,
acho que com óculos. Também estava sempre engajado com as questões do bairro,
se faltava água, se faltava luz. Se tapariam os buracos...Seu Zé sabia.
Esta
rua tornou-se um tanto solitária com a sua partida, Seu Zé. Confesso que fiquei
um tanto atordoada quando recebi a notícia. Sabe aquelas pessoas que fazem parte
do nosso dia a dia? Assim era.
Espero
que lá onde esteja, que Deus tenha reservado um lugar especial e que o senhor
tenha uma grande alameda para ficar e tomar conta. E que possa encontrar-se com
aqueles que se foram. Quem sabe, poderá comprar pão com papai!
Seu
Zé, tem pão no céu?
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