quinta-feira, 24 de junho de 2021

De repente

 

Deus

De repente, eu me sinto sozinha

Sem amores, sem amigos, sem rumos

E de repente alguém tão perto

Se faz tão longe

A falta de um alguém, esse alguém

Que nem mesmo eu, sei quem

Mas que há de existir

Para me nutrir

Recuperar minhas energias

Ao mesmo você se faz tão presente

E é tão bom saber que há sempre você comigo

É mesmo invejável a alguém

Essa presença, que marca na ausência

A desesperança que se espalhou dentro de mim

Me cega diante das amis claras visões

Eu me vejo perdida, num mundo de absurdos

Pelo menos, são coisas que não aceito

Tento fugir, às vezes, busco um refúgio

Mas em tudo que me apego

 

 

O perigo da porta trancada, está sempre perto

E é difícil, pisar firme um chão

Que há poucos, desabou na minha frente

Eu gostaria de cair, quem sabe assim

Alguma coisa mudaria

Mas que poderia me tirar

Dessa constância inquietante

Que me enfraquece mais a cada instante

E que não suporto mais conviver com ela

Aos poucos eu me vejo mais perto de um abismo

Primeiro perdendo o amo, depois os amados

Agora os amigos, que fim devo chegar?

Oh, Deus! Ilumine a mim!

Que sempre te respeitou

Que agora pede uma acolhida

Que necessita da sua ajuda

Eu peço, que não me dê nada

Só apenas, esclareça

A escuridão que estou vivendo

E mesmo, impossível de sobreviver

Os cegos vivem nela

Mas eles estão acostumados

Quem sabe esse destino esteja traçado

Mas, pra mim você é o dono

E você faz o que quer

Eu queria ser apenas eu

Sem me importar com o que são

Você me fez assim, com essa vontade

Não me tire essa vitória

Não envelheça meu espírito

Que está sempre disposto a recomeçar.

05/10/1985

 

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