Nossa realidade.
Um devaneio.
Naquele momento éramos dois:
eu e você
Seus olhos agateados
procuravam os meus lânguidos
Seu sorriso fugaz me trazia da
paz para a fogaça
Seus gestos eram serpentes a
me seduzir
Seus passos foram para mim um
caminho de procura
Nas tuas palavras, cheguei ao
martírio
Instantes depois
Eu aqui, você lá, eu cá, você
ali
Sem força, sem rumo, sem
graça, sem nada
Mas com tudo, um olhar
perdido, o meu
Um olhar triste, o seu
E foi-se...
Noite seguinte: Ah, noite! Ah,
você! Eu...
Mais nada, de repente, mais
tudo
Eu, você, nós e a felicidade
Que espaço, que tempo, que
hora?
Isso era nada
O que acontecia, éramos nós.
Olhares ativos, agora, olhares
aguçados
Olhares de prazer
Sua boca era a minha
Meu beijo era o teu
Nossos corpos eram linhas,
traços e curvas
Juntos, éramos um.
Que ardência na pele, que suor
Que frio, que amor, que
cansaço
Foi assim. Era assim.
Mágico, fascinante,
apaixonante.
Nosso palco, nosso quarto,
nossa cama.
Nossas vidas, tudo, só nosso
Mas um dia, cai o pano.
E nosso ato termina.
As cortinas se fecham
Seu olhar peregrino com o meu
olhar molhado.
Não há mais tempo
É hora de partir
Agora somos dois.
Eu e a saudade.
30/05/1984
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