sexta-feira, 11 de junho de 2021

Nossa realidade. Um devaneio.

 

Nossa realidade. Um devaneio.

Naquele momento éramos dois: eu e você

Seus olhos agateados procuravam os meus lânguidos

Seu sorriso fugaz me trazia da paz para a fogaça

Seus gestos eram serpentes a me seduzir

Seus passos foram para mim um caminho de procura

Nas tuas palavras, cheguei ao martírio

Instantes depois

Eu aqui, você lá, eu cá, você ali

Sem força, sem rumo, sem graça, sem nada

Mas com tudo, um olhar perdido, o meu

Um olhar triste, o seu

E foi-se...

Noite seguinte: Ah, noite! Ah, você! Eu...

Mais nada, de repente, mais tudo

Eu, você, nós e a felicidade

Que espaço, que tempo, que hora?

Isso era nada

O que acontecia, éramos nós.

Olhares ativos, agora, olhares aguçados

Olhares de prazer

Sua boca era a minha

Meu beijo era o teu

Nossos corpos eram linhas, traços e curvas

Juntos, éramos um.

Que ardência na pele, que suor

Que frio, que amor, que cansaço

Foi assim. Era assim.

Mágico, fascinante, apaixonante.

Nosso palco, nosso quarto, nossa cama.

Nossas vidas, tudo, só nosso

Mas um dia, cai o pano.

E nosso ato termina.

As cortinas se fecham

Seu olhar peregrino com o meu olhar molhado.

Não há mais tempo

É hora de partir

Agora somos dois.

Eu e a saudade.

30/05/1984

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