Saudade
I
Quase chegando, vai entrando
Não pede licença
Vem de fininho, incomodando
Vai criando forma
Formando base
Vem consumindo o que sobra
Corrói meu coração
Toma conta do cérebro
Se transforma em emoção
Pulsa forte e alto
Machuca e rasga o peito
Faz-me um assalto
Quer o meu todo
Se apossa
Faz o que quer
Lembra-me de você
Choro por não te ver
Grito desesperada
Por um amigo longe
Ele me faz desconsolada
E a família, minha metade
Ela traz-me então autopiedade
Abrilhanta-se a minha ideia
Então lanço a mão caneta e
papel
Crio pra ti um verso triste
Já não me dói tanto quanto
antes
Mas ela ainda persiste
E virá outras vezes
Lembrar que estou sozinha
E as lágrimas virão novamente
Mas eu terei sempre em mente
Velhos amigos
E isto sempre me fará
contente.
25/05/1985
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