domingo, 4 de julho de 2021

Refazer a ilusão

 

20 de dezembro de 1984

Refazer a ilusão

Na rua, vejo um céu, frio, tempestuoso

Na cidade, pouco iluminada, calma, longe

Me vejo no ato, desapercebida, a minha realidade

Creio em mim e na cidade, assim...

Enganada pelo destino

Traída pela rotina

E desejada pela solidão

O sol, meu amigo, não veio comigo!

E a chuva, fina sombra

Me cala, insiste e me prende

Tudo vago, inapto, voluptuoso, fugaz

Meu horizonte agora é um funil

Cada vez menor

Sim, a esperança parece permanecer fixa

Num tempo, lá atrás

E o negro da noite

Ainda sou eu

Minhas luzes se apagaram

Eu me sinto nua

Desfeita de tudo

O que era não é mais

A intransigência, a revolta, as pessoas

Tudo é exaustivo, monótono

Minha ilusão era um cometa

De cauda longa

Mas se chocou com algo estranho

O amor! Ah! Você, tão longe!

E eu, perdida

Padeço assim

Vagarosamente, padeço...

Meu pai, grande, me desfaz

Com a ilusão de detê-lo

Melhor não o amar

Querida mãe, querida mesmo, essa sim

Me ama, me conforta, e mais, me aceita

Dói agora, no fundinho

Como eu amo a essas pessoas

As quais foram, as quais eram

Meu pobre Deus, pobre por mim

Cria-me ou ajuda-me

Melhor seria morrer da paixão

Mas, não!!

O Natal está aí, é tempo de sorrir

Reanimar!

Esta é a palavra

Alegria! Alegria!

 

 

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