20 de dezembro de 1984
Refazer a ilusão
Na rua, vejo um céu, frio, tempestuoso
Na cidade, pouco iluminada, calma, longe
Me vejo no ato, desapercebida, a minha realidade
Creio em mim e na cidade, assim...
Enganada pelo destino
Traída pela rotina
E desejada pela solidão
O sol, meu amigo, não veio comigo!
E a chuva, fina sombra
Me cala, insiste e me prende
Tudo vago, inapto, voluptuoso, fugaz
Meu horizonte agora é um funil
Cada vez menor
Sim, a esperança parece permanecer fixa
Num tempo, lá atrás
E o negro da noite
Ainda sou eu
Minhas luzes se apagaram
Eu me sinto nua
Desfeita de tudo
O que era não é mais
A intransigência, a revolta, as pessoas
Tudo é exaustivo, monótono
Minha ilusão era um cometa
De cauda longa
Mas se chocou com algo estranho
O amor! Ah! Você, tão longe!
E eu, perdida
Padeço assim
Vagarosamente, padeço...
Meu pai, grande, me desfaz
Com a ilusão de detê-lo
Melhor não o amar
Querida mãe, querida mesmo, essa sim
Me ama, me conforta, e mais, me aceita
Dói agora, no fundinho
Como eu amo a essas pessoas
As quais foram, as quais eram
Meu pobre Deus, pobre por mim
Cria-me ou ajuda-me
Melhor seria morrer da paixão
Mas, não!!
O Natal está aí, é tempo de sorrir
Reanimar!
Esta é a palavra
Alegria! Alegria!
Nenhum comentário:
Postar um comentário