Tempos de
quarentena: retratos e memórias
Vivendo esse
momento de afastamento do trabalho, das pessoas e das atividades cotidianas em
geral, sobra muito tempo pra refletir.
E pensar, nesse
aspecto, em especial, é vasculhar e limpar as memórias, as ideias, os
sentimentos. Enfim, resolvi dar uma faxina, comecei pela física mesmo.
A estante foi o
primeiro espaço, tirei álbuns de fotos, os livros e bibelôs das inúmeras
viagens ou presentes de amigos e alunos, fui limpando e revivendo imagens e
emoções. Uma foto já embaçada do tempo rememora uma ida – com Roseli e família
– a um restaurante fazenda, no interior de Itabirito. Comida boa, de fogão a
lenha e a prosa animada foram elementos deste dia.
Sempre soube que
sou cumulativa, guardo mesmo as coisas: físicas, imagéticas e sensoriais.
Talvez por isso se explique o meu amor pelas caixas. E não é que eu precise do
objeto em si para startar minhas lembranças, simplesmente, porque gosto,
sinto-me bem. Tenho uma caixa repleta de papéis de alunos, cartas, recadinhos,
cartões. Não me desfaço. Eis a minha história na educação, está ali.
Em outra foto, eu
e minha amada sobrinha Karen estamos encapotadas, no frio da noite de Ouro
Preto. Deve ter uns quinze anos ou mais. Algum desavisado pode achar que é
saudosismo, mas não é. Não vivo querendo que o tempo volte, mas lembro com
carinho esses momentos vividos.
E com isso, a
faxina vai sendo completa: corpo e alma.
Ainda na estante,
há uma foto em que estamos eu e tia Margarida (ela se foi, agora, há pouco
tempo – menos de um ano). Lá em Niterói, andando pelas ruas. Me lembro de como
ela estava feliz em nos receber. Eu, papai e mamãe estávamos lhe fazendo uma
visita. Acho que foi 2008. Era uma pessoa alegre, com uma energia, mesmo com
mais de 80 anos. Saudades dela!
Há também uma
foto em que estou em Kilkenny, uma cidade do interior da Irlanda, isso foi em
2011, se não me falha a memória. Uma cidade pitoresca, toda medieval, com um
castelo gigante, um river que corta a cidade. Fomos eu e Mênara de
carona com o host dela. Tiramos muitas fotos. As ruas possuem vasos de
flores ao longo delas. São lindas! Ainda pra finalizar, fomos a um pub, que
era uma casa antiga (e o que não era, lá?), onde morava uma viúva
de três maridos, que foi condenada por bruxaria, justamente por ter enviuvado.
Ah, tem a foto do
casamento da minha amiga de infância, Adriana, são mais de 40 anos de amizade.
Isso não é pra qualquer um, tá! Ela, em um vestido rosa claro, lindo, que sua
própria mãe fez. E eu, de pretinho básico. São duas vidas entrelaçadas
eternamente, tenho certeza disso.
Um retrato de
minha outra grande amiga enfeita minha estante: Andreia. Estamos em seu antigo
apartamento, no Parque Guinle, no bairro Laranjeiras, na minha saudosa Rio de
Janeiro, brindando com uma tacinha de licor, após o jantar. Em 2006. Temos
também uma longa amizade, aliás, comemoramos Bodas de Prata, 25 anos.
Em uma, estamos
eu e Mênara, com um artista de rua entre nós, vestido de Chaplin, num daqueles
maravilhosos parques floridos de Londres, que, na primavera, enche a nossa vida
de uma infinidade de cores. São tão bem cuidados. Os ingleses gostam bastante de flores e animais. Também com
minha primogênita, há uma na qual estamos em cima de uma ponte em Dublin sobre
o rio Liffey.
Há uma de 2011,
no casamento de meu irmão Jerônymo. Estamos mais uma vez, eu, Mênara, mais
Jerominho, Igor e Maria Eduarda, estes três últimos ainda crianças; hoje,
adolescentes e enormes.
Ainda restam duas
fotos, uma de meu avô paterno, que nem conheci, pois ele faleceu meu pai era
criança ainda. Mandei fazer essa foto ampliada a partir de uma ¾, que tia Eliet
tinha. A outra é bem mais recente, mas não menos significativa: ela me foi dada
por uma aluna do 3º ano de 2019, Karina, menina doce e educada. São três fotos
juntas de nós duas, em momentos diversos, ao longo do ano e uma bela mensagem
em homenagem aos professores.
Nem vou me ater
aos bibelôs, pois são vários, mas vou destacar um, em especial: uma garrafa de
Coca do México, que tomei em um restaurante mexicano, mas lá na Nova Zelândia.
Dos livros, o que
dizer? Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por eles. São muitas
memórias. Dizem – já ouvi ou li isso em algum lugar – não existem escritores
que não sejam leitores. E penso que isso faz todo o sentido. As letras, as
palavras e as frases se embaralham em nosso campo de visão e se tornam uma rede
de proteção ou uma rota de fuga. Exatamente isso, acho que nunca consegui
definição melhor para o amor à leitura. E acabei de pensar nela agora.
Bem, finalizo,
dizendo, que meu tempo de quarentena da Covid-19, está sendo proveitoso e
producente. É é sempre bom tirar as traças e dar uma
geral no que que não está legal. Digo que encarar a vida pela melhor
perspectiva é o que devemos procurar fazer. Não há escolha.
Lembranças maravilhosas amiga, memórias que são na verdade, presentes em lugar quentinho do coração ❤️
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