Do alto, a cuidar de nós
Majestoso
e imponente está ele, no alto de uma colina, como se tomasse conta da baía e do
povo que lá embaixo se encontra. Os navios que aqui aportam têm o privilégio de
vê-lo de bem longe, muito antes de chegarem às docas. Ele parece mesmo tomar
conta de tudo. Onipresente, onisciente.
O
fascínio que exerce, mesmo àqueles que não dividem com ele a mesma crença, é
inegável. Sua beleza e seu encanto não são apenas arquitetônicos ou históricos.
Há algo místico que sobredoura a sua aura. Uma difícil explicação, típica de
tudo aquilo que permeia o imaginário popular, do qual se busca uma razão, mas
são tantas as cogitações...
Desde
o século XVI, quando vieram pra cá, os jesuítas, em sua missão evangelizadora,
para tentar “salvar as almas” daquele povo gentio, habitante típico da região;
um frei espanhol, chamado Pedro Palácios, trouxe já consigo, na viagem,
histórias repletas de lendas e fé.
A fama
do religioso a respeito de suas virtudes já era conhecida, antes de sua
chegada; e contratempos da viagem para o Brasil, como uma tempestade que
levaria a nau ao naufrágio, só fizeram crescer o respeito e a devoção que havia
por essa figura emblemática.
Em seu
início por terras capixabas, logo buscou refúgio no caminho do topo do
penhasco, no qual, futuramente, erguer-se-ia o Convento da Penha. Num primeiro
nicho, no sopé da montanha, conta a lenda, Pedro Palácios instalou-se e surgiu
a Gruta de Frei Palácios. Fundou sua primeira capela num platô, próximo à
praia. Mais tarde, a capela foi para o alto da montanha. E de lá, não saiu, cresceu,
tomou forma, sendo hoje o orgulho, não só da comunidade católica, mas de todo o
povo do Espírito Santo.
A
valorização desse patrimônio histórico-cultural vai além das fronteiras do
estado, pois ele faz parte da história nacional, rememora e representa fatos de
interesse comuns a todo cidadão que deseja conhecer um pouco mais sobre seu
país. Um período de riquezas que nos legou identidade cultural incomum.
No fim
do ano de 2007, vislumbrou-se um monumento ornado com uma iluminação digna de
quem comemora seus 450 anos. À noite, resplandecia, em sua grandiosidade e, de
longe, era possível avistá-lo, imponente, sobre a baía, a tomar conta, como
sempre, de nós, aqui, de baixo. Como se fosse um reduto especial, em que Deus
se encontra, especialmente em terras capixabas, ele está lá, no alto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário