sábado, 29 de maio de 2021

Convento da Penha

 

Do alto, a cuidar de nós

Majestoso e imponente está ele, no alto de uma colina, como se tomasse conta da baía e do povo que lá embaixo se encontra. Os navios que aqui aportam têm o privilégio de vê-lo de bem longe, muito antes de chegarem às docas. Ele parece mesmo tomar conta de tudo. Onipresente, onisciente.

O fascínio que exerce, mesmo àqueles que não dividem com ele a mesma crença, é inegável. Sua beleza e seu encanto não são apenas arquitetônicos ou históricos. Há algo místico que sobredoura a sua aura. Uma difícil explicação, típica de tudo aquilo que permeia o imaginário popular, do qual se busca uma razão, mas são tantas as cogitações...

Desde o século XVI, quando vieram pra cá, os jesuítas, em sua missão evangelizadora, para tentar “salvar as almas” daquele povo gentio, habitante típico da região; um frei espanhol, chamado Pedro Palácios, trouxe já consigo, na viagem, histórias repletas de lendas e fé.

A fama do religioso a respeito de suas virtudes já era conhecida, antes de sua chegada; e contratempos da viagem para o Brasil, como uma tempestade que levaria a nau ao naufrágio, só fizeram crescer o respeito e a devoção que havia por essa figura emblemática.

Em seu início por terras capixabas, logo buscou refúgio no caminho do topo do penhasco, no qual, futuramente, erguer-se-ia o Convento da Penha. Num primeiro nicho, no sopé da montanha, conta a lenda, Pedro Palácios instalou-se e surgiu a Gruta de Frei Palácios. Fundou sua primeira capela num platô, próximo à praia. Mais tarde, a capela foi para o alto da montanha. E de lá, não saiu, cresceu, tomou forma, sendo hoje o orgulho, não só da comunidade católica, mas de todo o povo do Espírito Santo.

A valorização desse patrimônio histórico-cultural vai além das fronteiras do estado, pois ele faz parte da história nacional, rememora e representa fatos de interesse comuns a todo cidadão que deseja conhecer um pouco mais sobre seu país. Um período de riquezas que nos legou identidade cultural incomum.

No fim do ano de 2007, vislumbrou-se um monumento ornado com uma iluminação digna de quem comemora seus 450 anos. À noite, resplandecia, em sua grandiosidade e, de longe, era possível avistá-lo, imponente, sobre a baía, a tomar conta, como sempre, de nós, aqui, de baixo. Como se fosse um reduto especial, em que Deus se encontra, especialmente em terras capixabas, ele está lá, no alto.

 

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