sábado, 29 de maio de 2021

Meus 40 anos

 

MEUS PASSOS, MEUS LAÇOS...

Dos primeiros passos, pouco me recordo; a infância há muito se foi. Mas, desde então, laços se criaram, afetivos, quase nós. Período em que os passos são ainda pequenos, trôpegos. As primeiras quedas também ocorrem aí, entretanto, são leves, não nos machucam tanto, e sempre há alguém que nos socorre. Quando não tão brandas, deixam cicatrizes, que podem até ficar para a vida toda, porém não doem com o tempo.

Passada aquela etapa, começamos a dar passadas mais firmes, queremos correr. Os tombos são inúmeros e inevitáveis...Queremos desatar os nós, afrouxá-los. Uma sensação nova de liberdade: podemos fazer sozinhos tudo aquilo que até então era impossível ou complicado. Os passos agora podem ser sobre rodas: bicicleta, patins, velotrol. Sentimo-nos quase super-heróis, ou totalmente? Não há ainda aquela noção de perigo, podemos tudo, sem limites, até voar! As janelas, nesse momento, são altamente inebriantes e convidativas.

Outra fase. Nossos laços agora começam a se diversificar. Experimentamos o outro. Tem aquilo que pertence ao outro, a convivência com o outro, a troca como outro... Nosso espaço também já é outro. Escola, praça, praia, casa de amigos. Vivendo a alteridade.

Momento complicado esse. Dúvidas, dúvidas, dúvidas... São tantos os porquês! Nossa vida transforma-se num caos e o pior é que não sabemos solucionar nada. A roupa nunca é adequada. Os outros estão sempre contra mim. Nosso corpo é horrível. Mas somos os melhores. Não conseguimos nem nos atender.

Agora a palavra de ordem é LIBERDADE. Temos os poder nas mãos. Queremos experimentar tudo. O que há de pior e o que há de melhor. Tempo bom esse... Realizar é importante, imprescindível. Divertir-se é o melhor. Rir mesmo sem motivo. Defendemos bandeiras... Soltamos se de vez  as amarras... É hora de criarmos laços apertadíssimos com um outro, em especial. Formam-se diversos outros laços, alguns vão pela vida toda, outros se desfazem. O caminho agora parece longo e as passadas têm que ser acertadas.

Responsabilidade. O caminho já foi bem trilhado. Os passos são firmes, raramente desviados. Pensa-se muito. Trabalha-se. Constrói-se. Os laços agora são estreitos, importantes, profissionais, familiares, amorosos, amistosos. Esses, dificilmente, irão se desfazer. A não ser que a vida – ou a morte – resolva nos separar.

Nesta época, os meus passos, os meus laços dos quarenta, começamos a considerar o que foi vivido até aqui. É uma saudade boa, não uma melancólica lembrança. É preciso considerar que se chegou à metade do caminho. O tempo é inexorável. As feridas, as cicatrizes que chegaram até aqui são indeléveis. Os laços são indestrutíveis. Os valores inabaláveis. E agora as perdas são muitas. É hora de fazer um balanço!

08/04/2007

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