MEUS
PASSOS, MEUS LAÇOS...
Dos
primeiros passos, pouco me recordo; a infância há muito se foi. Mas, desde
então, laços se criaram, afetivos, quase nós. Período em que os passos são
ainda pequenos, trôpegos. As primeiras quedas também ocorrem aí, entretanto,
são leves, não nos machucam tanto, e sempre há alguém que nos socorre. Quando
não tão brandas, deixam cicatrizes, que podem até ficar para a vida toda, porém
não doem com o tempo.
Passada
aquela etapa, começamos a dar passadas mais firmes, queremos correr. Os tombos
são inúmeros e inevitáveis...Queremos desatar os nós, afrouxá-los. Uma sensação
nova de liberdade: podemos fazer sozinhos tudo aquilo que até então era
impossível ou complicado. Os passos agora podem ser sobre rodas: bicicleta, patins,
velotrol. Sentimo-nos quase super-heróis, ou totalmente? Não há ainda aquela
noção de perigo, podemos tudo, sem limites, até voar! As janelas, nesse
momento, são altamente inebriantes e convidativas.
Outra
fase. Nossos laços agora começam a se diversificar. Experimentamos o outro. Tem
aquilo que pertence ao outro, a convivência com o outro, a troca como outro...
Nosso espaço também já é outro. Escola, praça, praia, casa de amigos. Vivendo a
alteridade.
Momento
complicado esse. Dúvidas, dúvidas, dúvidas... São tantos os porquês! Nossa vida
transforma-se num caos e o pior é que não sabemos solucionar nada. A roupa
nunca é adequada. Os outros estão sempre contra mim. Nosso corpo é horrível.
Mas somos os melhores. Não conseguimos nem nos atender.
Agora
a palavra de ordem é LIBERDADE. Temos os poder nas mãos. Queremos experimentar
tudo. O que há de pior e o que há de melhor. Tempo bom esse... Realizar é
importante, imprescindível. Divertir-se é o melhor. Rir mesmo sem motivo.
Defendemos bandeiras... Soltamos se de vez
as amarras... É hora de criarmos laços apertadíssimos com um outro, em
especial. Formam-se diversos outros laços, alguns vão pela vida toda, outros se
desfazem. O caminho agora parece longo e as passadas têm que ser acertadas.
Responsabilidade.
O caminho já foi bem trilhado. Os passos são firmes, raramente desviados.
Pensa-se muito. Trabalha-se. Constrói-se. Os laços agora são estreitos,
importantes, profissionais, familiares, amorosos, amistosos. Esses,
dificilmente, irão se desfazer. A não ser que a vida – ou a morte – resolva nos
separar.
Nesta
época, os meus passos, os meus laços dos quarenta, começamos a considerar o que
foi vivido até aqui. É uma saudade boa, não uma melancólica lembrança. É
preciso considerar que se chegou à metade do caminho. O tempo é inexorável. As
feridas, as cicatrizes que chegaram até aqui são indeléveis. Os laços são
indestrutíveis. Os valores inabaláveis. E agora as perdas são muitas. É hora de
fazer um balanço!
08/04/2007
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