sábado, 29 de maio de 2021

Uma voz que grita...

 

30/09/2007

Indignação

 

         Quero uma voz que fale no Congresso, nas Assembleias, da ultrajante, humilhante profissão, que é ser educador nesse país, na atualidade. Esperança em vão... Quem irá brigar por essa categoria; esta, que poderá ser capaz de fazer com que os milhões de jovens dessa terra – dita “em que se plantando tudo dá” – abram os olhos e agucem os ouvidos para as infames arbitrariedades que lhes são impostas.

         Um jovem matuto é muito melhor que um jovem astuto para o velho e bom político brasileiro. E tudo continuará na mesma. Para que é preciso educar as crianças, os adolescentes e os jovens? Amanhã, eles serão adultos e nós precisaremos deles como “mansos cordeiros”, não para entrarem no reino do céu, mas sim pra entrarem nessa verdadeira cova de leões. Bem-vindos à sordidez e à hipocrisia!

         E outra. Já temos coronéis demais pra mandar, caciques também.

         Educação é artigo de luxo! Essa é a minha mais nova descoberta. Podemos até ter profissionais empenhados e estudantes dedicados. Pode ser até que frutifique um ou outro, mas a maioria... Não. Não é culpa deles. É do sistema. Já ouviram isso? Pois é, mas, nesse caso, é a pura realidade. O sistema maior, os governantes - a maioria, para não ser injusta – não têm o menor interesse em fazer desta nação um lugar de letrados. Muito pelo contrário, é excelente que se mantenha o status quo, para eles. Seria preciso, talvez, uma Renascença, em pleno século XXI, para se valorizar a ciência, a razão, o conhecimento. Essa é a verdadeira Idade das Trevas!

         Alguém diria logo: “Só podia ser discurso de professor.” E eu responderia, altivamente: “Não, educador! Meu ofício é formar cidadãos.” Não importa que disciplina ensinemos, antes de mais nada, nós plantamos sementes, que colheremos daqui a alguns anos. Esperamos que realmente nasçam em boa terra e deem bons frutos ou flores.

         Por que perdemos o respeito social? Até meados do século XX, ainda éramos respeitados – como os advogados e os médicos, chamados de doutores, tínhamos salários dignos. Não é possível que ninguém se dê conta de que todos – exceto aqueles que nunca estudaram tiveram que passar pelas mãos de não um, mas vários professores.

Sabe o que é, meu povo, concidadãos – para usar de uma mesma linguagem que os “lá de cima”? Nós – agora chamados de facilitadores – melhoraríamos a vida de inúmeros brasileirinhos e brasileirinhas, mas... dificultaríamos as dos “grandes”.

 

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