30/09/2007
Indignação
Quero uma voz que fale no Congresso, nas Assembleias, da
ultrajante, humilhante profissão, que é ser educador nesse país, na atualidade.
Esperança em vão... Quem irá brigar por essa categoria; esta, que poderá ser
capaz de fazer com que os milhões de jovens dessa terra – dita “em que se
plantando tudo dá” – abram os olhos e agucem os ouvidos para as infames
arbitrariedades que lhes são impostas.
Um jovem matuto é muito melhor que um jovem astuto para o
velho e bom político brasileiro. E tudo continuará na mesma. Para que é preciso
educar as crianças, os adolescentes e os jovens? Amanhã, eles serão adultos e
nós precisaremos deles como “mansos cordeiros”, não para entrarem no reino do
céu, mas sim pra entrarem nessa verdadeira cova de leões. Bem-vindos à sordidez
e à hipocrisia!
E outra. Já temos coronéis demais pra mandar, caciques
também.
Educação é artigo de luxo! Essa é a minha mais nova
descoberta. Podemos até ter profissionais empenhados e estudantes dedicados.
Pode ser até que frutifique um ou outro, mas a maioria... Não. Não é culpa
deles. É do sistema. Já ouviram isso? Pois é, mas, nesse caso, é a pura
realidade. O sistema maior, os governantes - a maioria, para não ser injusta –
não têm o menor interesse em fazer desta nação um lugar de letrados. Muito pelo
contrário, é excelente que se mantenha o status
quo, para eles. Seria preciso, talvez, uma Renascença, em pleno século XXI,
para se valorizar a ciência, a razão, o conhecimento. Essa é a verdadeira Idade
das Trevas!
Alguém diria logo: “Só podia ser discurso de professor.” E
eu responderia, altivamente: “Não, educador! Meu ofício é formar cidadãos.” Não
importa que disciplina ensinemos, antes de mais nada, nós plantamos sementes,
que colheremos daqui a alguns anos. Esperamos que realmente nasçam em boa terra
e deem bons frutos ou flores.
Por que perdemos o respeito social? Até meados do século XX,
ainda éramos respeitados – como os advogados e os médicos, chamados de
doutores, tínhamos salários dignos. Não é possível que ninguém se dê conta de
que todos – exceto aqueles que nunca estudaram tiveram que passar pelas mãos de
não um, mas vários professores.
Sabe
o que é, meu povo, concidadãos – para usar de uma mesma linguagem que os “lá de
cima”? Nós – agora chamados de facilitadores – melhoraríamos a vida de inúmeros
brasileirinhos e brasileirinhas, mas... dificultaríamos as dos “grandes”.
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