Confidências
de ser
Se o amor existe, e a tudo
insiste
Por que tão triste?
E se a melancolia toma conta
De total abandono me encontro
Sem ter razão
Pois, se há paixão
Por que resistir a tantos
ataques?
Não infringe leis
Eu sei, há destaque
Mas que culpa tenho eu
Ser assim é mágico
Por que fugir desse mundo?
Por que sonhar com o perfeito?
E acordar de mau jeito
Por saber que não existe
Mas o mundo todo é assim?
Perguntas me vagam o
pensamento
E sempre sussurram um lamento
Agradeço, às vezes, a um Deus
Que talvez nem exista...
Mas eu tenho fé!
E se por um acaso dúvida
houver
A mim mesmo cabe responder
Cabisbaixa nas ruas, ou num
papel...
Me sinto neutra
Sem saber onde pisar, o que
sentir
Mas para que pensar?
Se isso me vale o sofrer
Às vezes, queria ser uma onda
Uma onda no mar
E essa onda ia ser útil
Daqui a pouco é manhã de novo
E depois a noite, e
continua...
Por que será que nem o
entardecer nem o amanhecer
me conduzem à vida futura?
E nem mesmo o tempo
É capaz de apagar
As desventuras sofridas
Passou, e o que não passa?
É essa incerteza do ser
Mas não sou
Eu queria crer na palavra
E não fazer dela
Uma história mal vivida
Gostaria de saber a quem se
ama
Oh! Deus, se és tão poderoso
Me ensina a viver
Me diz o que é a verdade
Eu choro tantas por não saber
E rio tantas outras sem porquê
Minha finalidade,
Qual?
Minha força, agora desaparece
Não sei se morre, ou apenas
adormece
Cria-me como um louco
Só para além dos sonhos
Mas nesse sonho
Eu, louca, terei a minha
certeza
De ser, afinal, sem ser.
30/07/1985
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