sábado, 29 de maio de 2021

O que é ser mãe?

 

Ser mãe

Sou mãe há mais de 30 anos

Tive três. Um Deus está guardando com ele.

Descobri nesses anos que não há tarefa mais difícil.

Mestrado? Doutorado? Isso a gente tira de letra.

Vamos lá...

É como se você comprasse um item pela internet, sem manual de instrução. Aí, quando chega, a gente olha, acha a coisa mais linda do mundo, mas não sabe mexer. E tem que ter cuidado, porque é frágil, é delicado. Mesmo sem saber direito como, vamos cuidando e amando, ah, amando, infinitamente.

Faço outra analogia: como se recebêssemos uma sinopse de um filme para executarmos; chega aquele filho, que não sabemos como será, quais serão seus gostos, suas aptidões. E aí, como escrever essa história? Porque é um longa-metragem, precisa fazer sucesso. Se não, a culpa é sua; no final das contas, foi você quem não dirigiu direito, não escolheu as personagens corretas, não elaborou o roteiro que agradasse ao público.

A gente se perde diante de tanto amor quando avistamos a cegonha trazendo aquelas criaturinhas indefesas: não importa se planejamos ou não. O amor é incondicional! São tão dependentes, tão pequeninas. O coração chega dói quando as olhamos e enxergamos aquela fragilidade, queremos protegê-las de todos os perigos. Aí, nós nos tornamos quase super-heroínas, acreditamos mesmo ter superpoderes e combatemos até as últimas forças para mantê-las resguardadas.

Não façam nada com nossos rebentos, porque podemos nos tornar verdadeiras leoas. Podem até fazer conosco, mas jamais com eles. Aliás, depois que se é mãe, nada nos fere tanto como aquilo que atinge nossos filhos.

Só que as “nossas criaturinhas” crescem, criam asas e voam mesmo, para bem longe.

E por mais que saibamos que eles são na verdade um “empréstimo” de Deus, é muito difícil quando eles estão distantes, porque mãe é assim: nada mais simbólico do que aquela galinha no terreiro com seus inúmeros pintinhos embaixo de suas asas. É desse jeitinho que queremos.

Não é porque não queiramos que eles cresçam, que sejam independentes, que tenham suas vidas, suas famílias. Nada nos dá mais orgulho do que o sucesso deles, nada nos dá mais alegria do que os ver felizes.

Então, resumindo, ser mãe é isso: esse desejo conflituoso do amor de quem ensina a andar de bicicleta, a gente solta, mas tem medo de que eles se machuquem.

 

Por Carla Cunha

08/05/2021

Um comentário:

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