sábado, 29 de maio de 2021

Uma crônica

 

Sobre patins

Na adolescência, tive um par de patins, branco, de bota de cano longo. Meu pai o comprou nos EUA, em uma época em que existiam poucos como esse, pois a maioria, no Brasil, era aquele, no qual se encaixavam os pés já de tênis. O meu era lindo, único e eu me achava o máximo; aquele sentimento típico da adolescência. Naqueles tempos, a popularidade aumentou e ainda arrumei um paquera americano, cujos patins eram semelhantes aos meus.

Rodávamos pelo bairro, pois, naquele tempo, não havia pista de patinação, o jeito era andar pelas ruas; sempre fui intrépida e isso não era problema pra mim: gostava do perigo e da adrenalina.

Alexander, este era o seu nome, meu partner; ficou caidinho de amores por mim e eu, bem, nem tanto. Descolada, aventureira, queria curtir a vida, intensamente, sobre patins.

Saíamos pelas ruas e avenidas, apostávamos corrida, brincávamos, encontrávamos com amigos, rodopiávamos, tentávamos passos e giros novos... e ainda tínhamos tempo para dar aquele beijo. Tudo novo... o beijo, os patins.

Eram dias felizes, sem preocupações, sem urgências... Porém, cheios de emoções e novas descobertas. A vida seguia naquele ritmo, sobre as pequenas rodas, sobre patins.

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