Sobre
patins
Na
adolescência, tive um par de patins, branco, de bota de cano longo. Meu pai o
comprou nos EUA, em uma época em que existiam poucos como esse, pois a maioria,
no Brasil, era aquele, no qual se encaixavam os pés já de tênis. O meu era
lindo, único e eu me achava o máximo; aquele sentimento típico da adolescência.
Naqueles tempos, a popularidade aumentou e ainda arrumei um paquera americano,
cujos patins eram semelhantes aos meus.
Rodávamos
pelo bairro, pois, naquele tempo, não havia pista de patinação, o jeito era
andar pelas ruas; sempre fui intrépida e isso não era problema pra mim: gostava
do perigo e da adrenalina.
Alexander,
este era o seu nome, meu partner;
ficou caidinho de amores por mim e eu, bem, nem tanto. Descolada, aventureira,
queria curtir a vida, intensamente, sobre patins.
Saíamos
pelas ruas e avenidas, apostávamos corrida, brincávamos, encontrávamos com
amigos, rodopiávamos, tentávamos passos e giros novos... e ainda tínhamos tempo
para dar aquele beijo. Tudo novo... o beijo, os patins.
Eram
dias felizes, sem preocupações, sem urgências... Porém, cheios de emoções e
novas descobertas. A vida seguia naquele ritmo, sobre as pequenas rodas, sobre
patins.
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