Ser mãe
Sou mãe há mais de 30 anos
Tive três. Um Deus está guardando com ele.
Descobri nesses anos que não há tarefa mais difícil.
Mestrado? Doutorado? Isso a gente tira de letra.
Vamos lá...
É como se você comprasse um
item pela internet, sem manual de instrução. Aí, quando chega, a gente
olha, acha a coisa mais linda do mundo, mas não sabe mexer. E tem que ter
cuidado, porque é frágil, é delicado. Mesmo sem saber direito como, vamos
cuidando e amando, ah, amando, infinitamente.
Faço outra analogia: como se
recebêssemos uma sinopse de um filme para executarmos; chega aquele filho, que
não sabemos como será, quais serão seus gostos, suas aptidões. E aí, como
escrever essa história? Porque é um longa-metragem, precisa fazer sucesso. Se
não, a culpa é sua; no final das contas, foi você quem não dirigiu direito, não
escolheu as personagens corretas, não elaborou o roteiro que agradasse ao
público.
A gente se perde diante de
tanto amor quando avistamos a cegonha trazendo aquelas criaturinhas indefesas:
não importa se planejamos ou não. O amor é incondicional! São tão dependentes,
tão pequeninas. O coração chega dói quando as olhamos e enxergamos aquela
fragilidade, queremos protegê-las de todos os perigos. Aí, nós nos tornamos
quase super-heroínas, acreditamos mesmo ter superpoderes e combatemos até as
últimas forças para mantê-las resguardadas.
Não façam nada com nossos
rebentos, porque podemos nos tornar verdadeiras leoas. Podem até fazer conosco,
mas jamais com eles. Aliás, depois que se é mãe, nada nos fere tanto como
aquilo que atinge nossos filhos.
Só que as “nossas
criaturinhas” crescem, criam asas e voam mesmo, para bem longe.
E por mais que saibamos que eles
são na verdade um “empréstimo” de Deus, é muito difícil quando eles estão
distantes, porque mãe é assim: nada mais simbólico do que aquela galinha no
terreiro com seus inúmeros pintinhos embaixo de suas asas. É desse jeitinho que
queremos.
Não é porque não queiramos que
eles cresçam, que sejam independentes, que tenham suas vidas, suas famílias.
Nada nos dá mais orgulho do que o sucesso deles, nada nos dá mais alegria do
que os ver felizes.
Então, resumindo, ser mãe é
isso: esse desejo conflituoso do amor de quem ensina a andar de bicicleta, a
gente solta, mas tem medo de que eles se machuquem.
Por Carla Cunha
08/05/2021
Muito profundo! Papel de mãe no sentido real.....
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