sábado, 29 de maio de 2021

Texto da época da faculdade

 

Coração que não toma mais sol

 

Era um coração que tomava sol todas as manhãs, as noites, enfim, todos os dias. O brilho matinal e a brisa noturna acariciavam suavemente aquele coração era todo de amores.

         Esse tal coração não tinha medo. De nada mesmo. E mergulhava em águas profundas, oceânicas, paradisíacas; muitas vezes acabava numa praia deserta.

         Mas ele não se cansava. Era um coração valente – porque era jovem. Gostava de aventuras, e as vivia intensamente. Como sofria, o pobre coitado! Mas não desistia.

         Até que um belo dia, o coração bateu tão forte dentro daquele castelo, que o castelo teve que segurar a onda, se não, desmoronava como castelo de areia.  E então o coração parecia brigar dentro daquele castelo, como se quisesse saltar para fora. A razão: um castelo todo revestido de beleza, gentileza. Era um castelo real! Um palácio! O coração não se continha, e parecia viajar em nuvens de algodão, e enveredar nas cores do arco-íris.

Por fim, o castelo do príncipe foi para longe, muito longe. E o coração tão desolado ficou; achou que não tinha mais motivo para viver. Pobre coração sonhador! Nunca mais o castelo real apareceu. Levou todas as esperanças que o coração guardava com tanto zelo. Ele ficou solitário, triste e decidiu que nunca mais  tomaria sol nas manhãs ensolaradas. E quando chovesse, era lá que ele estaria, apagando a última brasa acesa, naquele castelo incendiado.

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