Coração
que não toma mais sol
Era
um coração que tomava sol todas as manhãs, as noites, enfim, todos os dias. O
brilho matinal e a brisa noturna acariciavam suavemente aquele coração era todo
de amores.
Esse tal coração não tinha medo. De nada mesmo. E mergulhava
em águas profundas, oceânicas, paradisíacas; muitas vezes acabava numa praia
deserta.
Mas ele não se cansava. Era um coração valente – porque era
jovem. Gostava de aventuras, e as vivia intensamente. Como sofria, o pobre
coitado! Mas não desistia.
Até que um belo dia, o coração bateu tão forte dentro
daquele castelo, que o castelo teve que segurar a onda, se não, desmoronava
como castelo de areia. E então o coração
parecia brigar dentro daquele castelo, como se quisesse saltar para fora. A
razão: um castelo todo revestido de beleza, gentileza. Era um castelo real! Um
palácio! O coração não se continha, e parecia viajar em nuvens de algodão, e
enveredar nas cores do arco-íris.
Por
fim, o castelo do príncipe foi para longe, muito longe. E o coração tão
desolado ficou; achou que não tinha mais motivo para viver. Pobre coração
sonhador! Nunca mais o castelo real apareceu. Levou todas as esperanças que o
coração guardava com tanto zelo. Ele ficou solitário, triste e decidiu que
nunca mais tomaria sol nas manhãs
ensolaradas. E quando chovesse, era lá que ele estaria, apagando a última brasa
acesa, naquele castelo incendiado.
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