Vida
pós-pandemia
Retorno
às aulas, retorno à escola. Mas não à rotina. Sentimentos conflituosos nos
regem neste momento. Indagações são feitas a todo instante – a maioria fica sem
respostas, pelo menos satisfatórias. É arriscado? Não é? Teremos condições de
trabalho? Os estudantes virão?
A vida
segue. E seguiremos, através de regras novas, de ações diferentes das de antes,
de modos de vida alternados, de protocolos a seguir. Enfim, a vida continua.
Tem que continuar.
Vivemos
dias iniciais pandêmicos, em que nos apavorávamos com o novo, não tínhamos um
norte a seguir, não havia previsões. Aprendemos a nos virar e a nos adequar a
esta realidade que se avizinhou e se apresentou, sem prazo de validade. Não
fazíamos ideia do que realmente nos aguardava. E agora? Ainda não sabemos. Tudo
mudou. Nada será igual.
O
mundo é outro. A engrenagem social e econômica rangeu seus alicerces, quase
desmoronou. Muita coisa emperrou. E tudo virou política. Você é de esquerda ou
é “liberal”? Resumiu-se a essa dualidade inconsciente. Ficamos sem bom senso,
sem criticidade. O espelho do executivo nacional refletiu nessa postura
bilateral e irracional, muitas vezes.
Aproxima-se
o pleito. E, nós, professores, estamos aqui, na escola, fingindo que
resgataremos, heroicamente, um ano, que já se foi, que já era. Tentando
promover uma educação à custa de uma aparente segurança sanitária. Bônus.
Eleição. Mera coincidência. Nossa saúde física e mental não têm a menor
importância; afinal, às vésperas das eleições, o que importa é manter o eleitor
feliz. Mais uma vez: pão e circo.
Carla
Moreira da Cunha – 06/10/2020
Sensacional texto 👏👏👏👏
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