sábado, 29 de maio de 2021

Vida na pandemia

 

Vida pós-pandemia

Retorno às aulas, retorno à escola. Mas não à rotina. Sentimentos conflituosos nos regem neste momento. Indagações são feitas a todo instante – a maioria fica sem respostas, pelo menos satisfatórias. É arriscado? Não é? Teremos condições de trabalho? Os estudantes virão?

A vida segue. E seguiremos, através de regras novas, de ações diferentes das de antes, de modos de vida alternados, de protocolos a seguir. Enfim, a vida continua. Tem que continuar.

Vivemos dias iniciais pandêmicos, em que nos apavorávamos com o novo, não tínhamos um norte a seguir, não havia previsões. Aprendemos a nos virar e a nos adequar a esta realidade que se avizinhou e se apresentou, sem prazo de validade. Não fazíamos ideia do que realmente nos aguardava. E agora? Ainda não sabemos. Tudo mudou. Nada será igual.

O mundo é outro. A engrenagem social e econômica rangeu seus alicerces, quase desmoronou. Muita coisa emperrou. E tudo virou política. Você é de esquerda ou é “liberal”? Resumiu-se a essa dualidade inconsciente. Ficamos sem bom senso, sem criticidade. O espelho do executivo nacional refletiu nessa postura bilateral e irracional, muitas vezes.

Aproxima-se o pleito. E, nós, professores, estamos aqui, na escola, fingindo que resgataremos, heroicamente, um ano, que já se foi, que já era. Tentando promover uma educação à custa de uma aparente segurança sanitária. Bônus. Eleição. Mera coincidência. Nossa saúde física e mental não têm a menor importância; afinal, às vésperas das eleições, o que importa é manter o eleitor feliz. Mais uma vez: pão e circo.

Carla Moreira da Cunha – 06/10/2020

 

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