Deus
De repente, eu me
sinto sozinha
Sem amores, sem
amigos, sem rumos
E de repente alguém tão
perto
Se faz tão longe
A falta de um alguém,
esse alguém
Que nem mesmo eu, sei
quem
Mas que há de existir
Para me nutrir
Recuperar minhas
energias
Ao mesmo você se faz
tão presente
E é tão bom saber que
há sempre você comigo
É mesmo invejável a
alguém
Essa presença, que
marca na ausência
A desesperança que se
espalhou dentro de mim
Me cega diante das
amis claras visões
Eu me vejo perdida,
num mundo de absurdos
Pelo menos, são coisas
que não aceito
Tento fugir, às vezes,
busco um refúgio
Mas em tudo que me
apego
O perigo da porta
trancada, está sempre perto
E é difícil, pisar
firme um chão
Que há poucos, desabou
na minha frente
Eu gostaria de cair,
quem sabe assim
Alguma coisa mudaria
Mas que poderia me
tirar
Dessa constância
inquietante
Que me enfraquece mais
a cada instante
E que não suporto mais
conviver com ela
Aos poucos eu me vejo
mais perto de um abismo
Primeiro perdendo o
amo, depois os amados
Agora os amigos, que
fim devo chegar?
Oh, Deus! Ilumine a
mim!
Que sempre te respeitou
Que agora pede uma
acolhida
Que necessita da sua
ajuda
Eu peço, que não me dê
nada
Só apenas, esclareça
A escuridão que estou
vivendo
E mesmo, impossível de
sobreviver
Os cegos vivem nela
Mas eles estão
acostumados
Quem sabe esse destino
esteja traçado
Mas, pra mim você é o
dono
E você faz o que quer
Eu queria ser apenas
eu
Sem me importar com o
que são
Você me fez assim, com
essa vontade
Não me tire essa
vitória
Não envelheça meu
espírito
Que está sempre
disposto a recomeçar.
05/10/1985